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Helena Conserva
 


ATENÇÃO: ESTAMOS MUDANDO DE ENDEREÇO

 

PREZADOS LEITORES TIVEMOS ALGUNS TRANSTORNOS E POR ISSO DECIDIMOS MUDAR DE ENDEREÇO. AGUADEM, EM BREVE TODOS SERÃO INFORMADOS -

GRATA HELENA CONSERVA



Escrito por Helena às 16h26
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O poeta produz a partir da leitura de textos alheios, articulando idéias e costurando a linguagem...(Almandrade)

Almandrade é um dos principais nomes da poesia visual de Brasil dos anos 70.
Segundo Nicolás Bernard, a cidade de Baía, em Brasil, tem suas crendices e suas surpresas culturais, entre elas Joao Gilberto, Dourival Cayme  e Glauber Rocha e por que não, pergunta-se, Almandrade. Em definitiva, um artista que vem surpreendendo desde faz trinta anos com o rigor, a sutileza e a coerência de trabalhar com diferentes suportes seguido por uma tradição de um saber singular.

 

O poeta é o cuidador da memória. Você disse que existe uma forma de saber perdida ou desprezada que o poeta se encarrega de recuperar. Como vê a saúde da poesia em Brasil?

 Parece que a poesia voltou a fazer parte da cidade nos últimos anos no Brasil. Saraus, recitais, debates, publicações, vão se espalhando e ocupando pequenos espaços nos centros urbanos, bares, cafés, bibliotecas. Páginas na internet. Mais uma ilustração da crise da linguagem, do pensar  e da cidadania?  Afinal de contas, poesia passou a ser tudo que alguém escreve movido por uma "inspiração", uma revolta, uma paixão, um discurso livre e aleatório, como: a frase da mesa do bar, o bilhete da namorada, o discurso de protesto, etc. O poeta que já foi expulso da cidade, volta ao cenário urbano na condição de sintoma da cidade grande. Numa época marcada pelo desaparecimento do durável, transmutação rápida dos valores, sem tradição poética, a poesia retorna como um lugar de experiências contraditórias, para atender uma necessidade de lazer e divertimento, do que uma vontade de saber.

 Qual é sua relação com a obra do grupo de trabalho composto por Haroldo de Campos, Décio Pignatari e Augusto de Campos?

  Pertenço a uma geração que surgiu nos anos de 1970, no fim das vanguardas. O contato com a poesia concreta, o poema processo foi fundamental para o desenvolvimento do meu trabalho não só poético como também visual. Realizei inúmeros poemas visuais. Tornei amigo do Décio Pignatari que escreveu um texto sobre minhas pinturas e meus objetos.

A poesia concreta é um movimento forte e de grande impacto latinoamericano e mundial , Existem hoje outras correntes literárias em Brasil da importância deste movimento? Que há com as novas gerações?

 A poesia concreta é produto de um momento histórico do Brasil. Fez parte das nossas primeiras manifestações decididamente modernas. Não houve outro movimento nem é mais possível, como não é mais possível uma vanguarda. Existem os poetas independentes dos movimentos.

Segundo sua opinião Para que serve a poesia?

  A poesia é uma forma de relacionamento do homem com o mundo, diferente da ciência e da filosofia. A poesia é um conhecimento à parte da razão tecnocrata que rege a sociedade contemporânea, hoje em dia, o homem se defronta com outras oportunidades de linguagens, outros conhecimentos, que deixou de lado o hábito da leitura, principalmente a leitura de poesias. Diante da informática, da música popular, do discurso político, não há lugar para a poesia (lamentável).

Tem tribuna aberta para dizer o que deseje.

O poeta vive num canteiro de obras. A musa, o acaso,  a razão, o sentimento, os pensamentos abstratos são matérias primas para a sua poesia. Ele produz a partir da leitura de textos alheios, articulando idéias e costurando a linguagem. A poesia é um trabalho que exige de quem faz uma quantidade de reflexões, de decisões, de escolhas e de combinações. As leituras e as experiências modificam a escrita, as palavras não são totalmente espontâneas, como nas pinturas de um Pollock, há um trabalho e um cálculo da escrita. A linguagem poética difere da linguagem que utilizamos para a comunicação diária. Cada poeta explora a linguagem na busca de um acontecimento inesperado, de uma experiência singular. A linguagem cotidiana desaparece ao ser vivida, é substituída por um sentido. A poesia não, ela é feita expressamente para renascer de suas cinzas e vir a ser indefinidamente o que acabou de ser.

 

 

 



Escrito por Helena às 22h48
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                               Nívea Maria

 

"... PARA NÃO SUICIDAR" – Nívea Maria

 

Diante do horizonte, tudo perde a razão. Todo olhar parece insuficiente para alcançar tudo o que pode ser conquistado e, como um obstáculo, um limite se impõe a cada passo. Braços parcos, finitos para tamanha grandiosidade. O rapaz, ‘a janela, morre... prenhe de sonhos incompletos... Tudo o que é vivo não dura o bastante para ser eterno.

 

“Clarice Lispector fala de uma galinha, das transgressões no limite da fantasia de uma rapariga casada, do enterro de um cachorro chamado José; Adelia Prado, de seu casamento e de suas orações; Hilda Hilts, do tão sofrido desejo feminino. E nossa autora? De objetos de cozinha, como copos e xícaras; da convivência familiar, dos vizinhos, de um cágado”. (Jessé de Almeida primo)

 

O livro de contos "... PARA NÃO SUICIDAR" DE NÍVIA MARIA VASCONCELLOS, pode ser adquirido no Curso Littera (Galeria Cardil Center, sala 23, Av. Getúlio vargas – Feira de santana) também na Tabacaria “Ele e Ela” no shopping Iguatemi ou na Livraria LDM da UEFS.

 



Escrito por Helena às 22h46
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Uma história muito estranha

 

A foto em que estou de costas, escolhi para o meu cartão de natal de 1982. Precisava então, escrever uma mensagem. Tomei e larguei o papel e a caneta várias vezes, porque faltava naquele momento à inspiração. Escrevi nos envelopes os nomes e os respectivos endereços dos amigos para quem eu enviaria o cartão. Muitos amigos na cidade outros pela capital. O problema era a mensagem que não vinha, talvez porque estivesse ansiosa pois, na manhã seguinte íamos a um passeio em Triunfo, (cidade vizinha) eu, meu namorado e uns amigos, nos divertir. A intuição mandava-me escrever. Comecei a rabiscar qualquer coisa, frases toscas, sem sentido que não me agradavam, algumas assim:

 

O monumento não tem porta

Longe muito perto uma pessoa de costa

A entrada é uma rua antiga e torta

No joelho uma criança e uma foca

Estende a mão e bate a porta

Suba na barca e venha contente

É Natal. Felicidades pra animais e gente.

 

Disse a mim mesma: claro que não escolherei esse poema bizarro, amanhã depois do passeio dou um jeito. Fui dormir.

Na manhã seguinte fomos ao passeio combinado e aconteceu um acidente conosco, fui levada em coma pra o Hospital Português em Recife, (distante 400 quilômetros de Serra Talhada) com traumatismo craniano e nenhuma chance de sobreviver. Passados vários dias eu continuava em coma. O natal se aproximava. Meus familiares encontraram os envelopes escritos, o negativo da foto e a mensagem. Mandaram imprimir várias cópias já que eu continuava na UTI, consideraram aquilo como uma despedida e só se falava nisso na pequena cidade. Algumas pessoas, desconhecidos, de cidades vizinhas iam até a casa de meus pais dia de feira para saber notícias e pedir um santinho, (virou santinho o meu pretensioso cartão de natal) da moça que sabia que ia morrer e escreveu um poema de despedida, muito lindo com uma foto de costas, deixou escrito o nome dos amigos. Tudo isso povoava o imaginário popular.

Alguns anos depois, já na Bahia, um dia estou amamentando minha filha, a secretária varrendo a casa com o rádio ligado, Caetano esta  cantando uma música longa, pouco conhecida, meio falada, e olha o que eu escuto no final? Meu poema bizarro, na integra. Eu fiquei atônita, tão maluca, sem acreditar. O bebê chorava, eu aumentava o volume, a empregada falava, eu mandava ela se calar. Um calor gelado percorreu meu corpo, uma lembrança triste, sufocada e ao mesmo tempo alegre me assaltava. Então o poema não era meu? Então copiei Caetano ou ele me copiou? Busquei resposta em vão. Até hoje me pergunto se é verdade esse evento, se imaginei... não sei. Para não dizer que é uma incógnita prefiro dizer que é uma história muito estranha.

 

 



Escrito por Helena às 22h34
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Instituto Histórico e Geografico de Feira de Santana

Urubus e Gaviões no Instituto Histórico e geográfico

 

Reuniram-se os aspirantes a fundar o instituto histórico e geográfico em Feira de Santana, entre eles eu. A convite de Consuelo Ponde Senna, a presidente do Instituto de Salvador, participamos neste dia (da foto) dos encontros dos institutos norte e nordeste. Na foto Consuelo sentada à esquerda eu e os outros aspirantes dispepersos.

O instituto de Feira iniciava uma guerra ferrenha por cargos. Só presidentes tiveram que eleger três porque todos três almejavam aquele cargo de destaque e prestígio. Os aspirantes estavam armados com artilharia de ponta. O meu cargo ficou sendo o de diretora de publicação mas, tinha um galo velho sardento querendo o mesmo cargo. Os seus esporões enormes. A disputa era de gaviões e urubus. Eu só dispunha de um pistoleiro que veio de Pernambuco com uma peixeira de duas sangrias é bem verdade mas, apenas um para derrubar um contingente.

O instituto nasceu num campo minado. Muitos morreram no combate outros abdicaram do cargo como eu, mas a luta continua. 

 

 

 

 

 

 

 



Escrito por Helena às 20h17
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